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Se ainda não começaste o curso "Princípios da Fé Cristã", gostaria de convidar-te a começares esta maratona espiritual comigo. A Bíblia incentiva-nos a crescer espiritualmente, e através dos estudos que aqui serão partilhados terás a oportunidade de conhecer melhor o que a Palavra de Deus diz sobre diversos temas.
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9. A FORMAÇÃO DO CÁNON BÍBLICO
A palavra ‘Cânon’ é de origem semítica e originalmente significava ‘instrumento de medir’. Literalmente quer dizer cana ou vara de medir.
9.1. DO ANTIGO TESTAMENTO
Bem cedo na história, Deus começou a formação do livro que haveria de ser o meio da Sua revelação ao Homem:
a) Os Dez Mandamentos escritos em pedra. Deus mesmo os escreveu nas duas tábuas e os deu a Moisés como testemunho da aliança entre Ele e Israel.
b) Samuel escreveu num livro e pô-lo diante de Deus.
c) Isaías fala do livro do Senhor.
d) Daniel refere-se aos ‘livros’, etc.
O Cânon hebraico é diferente do nosso, embora contenha os mesmos livros, dispostos na seguinte ordem:
Lei: (5 livros) Génesis Números
Êxodo Deuteronómio
Levítico
Profetas: (8 livros)
Josué Reis Ezequiel
Juízes Isaías Os Doze Profetas Menores
Samuel Jeremias
Escritos: (11 livros)
Salmos Rute Daniel
Provérbios Lamentações Esdras - Neemias
Job Eclesiástes Crónicas
Cantares Ester
- LIVROS DESAPARECIDOS E CITADOS NO A.T.: Estes livros foram úteis para Deus e só Ele conhece os seus destinos. Pode ser que um dia eles venham à luz como os Manuscritos que Qunram, no Mar Morto em 1947.
a) Livros das Guerras do Senhor (Nm 21.14).
b) Livro dos Justos (Js 10.13; 2 Sm 1.18).
c) Livro da História de Salomão (1 Rs 11.41).
d) História do Rei David (1 Cr 27.24).
e) Crónicas de Natan e Gad (1 Cr 29.29).
f) História de Natan, Profecia de Aías e Visões de Ído (2 Cr 9.29; 12.15; 26.22).
g) Livro de Hozai (2 Cr 33.19).
7.2. DO NOVO TESTAMENTO
Há indicações no N.T. de que ainda nos dias dos apóstolos e sob a supervisão deles, começaram a serem feitas as colecções dos seus escritos para as igrejas, os quais eram postos ao lado do A.T. como inspirada Palavra de Deus.
- Paulo reivindicou para a sua doutrina a inspiração divina.
- O mesmo fez João quanto ao Evangelho.
- Pedro equipara as Epístolas de Paulo às demais Escrituras.
- Cada livro canónico irradia de si mesmo sua autoridade divina.
a) DATAS EM QUE OS LIVROS FORAM ESCRITOS:
Epístolas (13) de Paulo → 48*-67 (*dependendo da data atribuída a Gálatas)
As epístolas pastorais (1–2 Timóteo e Tito) são tradicionalmente atribuídas a Paulo, mas muitos estudiosos modernos defendem uma data posterior e autoria por discípulos de Paulo.
Actos dos Apóstolos → 70-90
Há duas principais posições:
. c. 62–65 d.C. — uma data mais antiga, baseada sobretudo no facto de Atos terminar com Paulo ainda vivo e sob prisão domiciliária em Roma, sem narrar a sua morte.
. c. 80–90 d.C. — a data mais comum entre muitos estudiosos modernos, frequentemente colocando a composição por volta de 80–85 d.C.
Evangelhos Mateus → 80-90
Marcos → 65-70
Lucas → 80-90
João → 90-100
Epístolas aos Hebreus e de Judas → 60-90
Apocalípse → 95/96.
Livro Data provável Evidências que justificam a data
Tiago 45–62 d.C. Pode refletir uma fase muito antiga do cristianismo
judaico. A ausência de referência clara à destruição
de Jerusalém favorece uma data anterior a 70.
Gálatas 48–55 Descreve conflitos sobre a inclusão dos gentios e a relação
entre Paulo e Jerusalém. Pode ser anterior ao Concílio de
Jerusalém (At 15), dependendo da interpretação de Gl 2.
1 Tessalonicenses 49–51 Geralmente considerada uma das cartas mais antigas
de Paulo. Paulo estava em Corinto durante a segunda
viagem missionária, e Atos 18 fornece uma possível
correspondência cronológica.
2 Tessalonicenses 50–52 Tradicionalmente atribuída a Paulo e próxima de 1
Tessalonicenses; contudo, diferenças de linguagem e
escatologia levam alguns estudiosos a colocá-la
posteriormente.
1 Coríntios 53–55 Paulo menciona a situação da igreja de Corinto e escreve
provavelmente durante a permanência em Éfeso (1Co
16:8), que pode ser relacionada com Atos 19.
2 Coríntios 55–56 Reflete acontecimentos posteriores a 1 Coríntios e a
reconciliação de Paulo com parte da igreja de Corinto.
Romanos 56–58 Paulo afirma estar prestes a ir a Jerusalém e depois a
Roma/Espanha (Rm 15). É normalmente situada no final da
terceira viagem missionária, provavelmente em Corinto.
Marcos 65–70 A previsão da destruição do templo (Mc 13) é frequentemente
relacionada com a destruição de Jerusalém em 70. Alguns
defendem composição pouco antes de 70; outros, pouco
depois.
Filipenses 60–62 Paulo escreve estando preso. A tradição frequentemente
associa a carta à prisão em Roma, embora Éfeso ou Cesareia
também sejam propostas.
Filemom 60–62 Está ligada à prisão de Paulo e menciona Onésimo.
Geralmente é datada aproximadamente com Filipenses e
Colossenses se estas forem paulinas.
Colossenses 60–62 Tradicionalmente atribuída a Paulo durante a prisão.
Porém, vocabulário, teologia e estilo levam muitos
estudiosos a considerar possível autoria posterior.
Efésios 60–62 Tradicionalmente atribuída a Paulo durante a prisão. A
relação estreita com Colossenses e a linguagem utilizada
também levantam questões sobre autoria e data.
Mateus 80–90 Utiliza material de Marcos na hipótese da prioridade de
Marcos. A referência à destruição de Jerusalém e do
templo é frequentemente entendida à luz de 70 d.C. O
Evangelho também reflete conflitos entre comunidades
cristãs e o judaísmo.
Lucas 80–90 Utiliza Marcos e outras tradições. A destruição de Jerusalém
(Lc 19:41-44; 21:20-24) é frequentemente considerada uma
indicação de que o autor conhecia os acontecimentos de 70.
Atos 80–90 É o segundo volume de Lucas. A narrativa termina com Paulo
vivo em Roma, o que levou alguns a defender uma data
anterior; porém, a maioria dos estudiosos coloca Lucas–Atos
depois de 70.
1 Pedro 60–90 Tradicionalmente atribuída a Pedro, mas a qualidade do grego
e questões históricas levantam debates. Se for genuinamente
petrina, poderia ser anterior à morte de Pedro, normalmente
situada nos anos 60.
Judas 65–80 Parece pressupor problemas com falsos mestres já
desenvolvidos. Também utiliza material relacionado com 2
Pedro, embora a relação entre os dois seja debatida.
Hebreus 60–90 Não identifica o autor. A linguagem sobre o sistema sacrificial
e o sacerdócio pode refletir o templo ainda existente ou uma
perspectiva posterior à sua destruição. Não é possível
determinar uma data com segurança.
1 Timóteo 62–65 Tradicionalmente atribuída a Paulo. Contudo, diferenças
de vocabulário, organização e situação eclesial fazem muitos
estudiosos colocá-la depois da morte de Paulo,
frequentemente entre 80–100.
Tito 62–65 Mesmas questões das Pastorais. A organização das igrejas e a
linguagem são frequentemente usadas para defender uma
data posterior.
2 Timóteo 64–67 Tradicionalmente vista como a última carta de Paulo,
escrita durante uma prisão em Roma. Muitos estudiosos,
porém, consideram-na pseudónima e posterior.
2 Pedro 80–110 É frequentemente considerada o último livro do NT a ser
escrito. A referência à demora da parusia e a relação com
Judas são importantes para a datação.
João 90–100 Desenvolve uma cristologia e uma linguagem teológica mais
elaboradas. A relação com comunidades joaninas e possíveis
conflitos com grupos judaicos é usada para situá-lo no final
do século I.
1 João 90–100 Parece surgir do mesmo ambiente de João. Combate uma
divisão interna da comunidade e apresenta linguagem muito
próxima do Evangelho.
2 João 90–100 Vocabulário e teologia muito próximos de 1 João e do
Evangelho de João.
3 João 90–100 Pertence ao mesmo círculo das cartas joaninas e apresenta
situação de conflito de liderança dentro de uma comunidade.
Apocalipse c. 95 A referência ao contexto de perseguição e especialmente a
situação das igrejas da Ásia Menor é normalmente associada
ao reinado de Domiciano (81–96). Uma minoria defende uma
data no reinado de Nero.
- LIVROS DESAPARECIDOS CITADOS NO N.T.:
Uma carta de Paulo aos Coríntios (1 Co 5.9).
Carta de Paulo aos Laodicenses (1 Cl 4.16).
Palavras de Jesus (não registadas em nenhum livro canónico) (At 20.35).

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