Texto relativo à terceira parte da lição online sobre a Bíblia - Curso "Princípios da Fé Cristã"
.............
Se ainda não começaste o curso "Princípios da Fé Cristã", gostaria de convidar-te a começares esta maratona espiritual comigo. A Bíblia incentiva-nos a crescer espiritualmente, e através dos estudos que aqui serão partilhados terás a oportunidade de conhecer melhor o que a Palavra de Deus diz sobre diversos temas.
.............
7. AS POTÊNCIAS MUNDIAIS DOS TEMPOS BÍBLICOS
O mundo dos tempos bíblicos viveu dominado por seis grandes potências mundiais. Cada uma dessas potências teve a sua participação no plano divino, interferindo na história de Israel e contribuindo de uma maneira ou de outra com a preparação do mundo para o advento de Cristo.
7.1. IMPÉRIO EGÍPCIO
- O Egipto foi fundado por Mizrain, filho de Cam logo após o dilúvio (Gn 10.6,13). Possivelmente por volta de 5000 a.C.
Na Bíblia, Mizraim é uma pessoa real. De acordo com a "Tabela das Nações" em Gn 10:6, ele foi o segundo filho de Cam e, portanto, neto de Noé. Os descendentes de Mizraim colonizaram a região do Nordeste de África, dando origem ao povo egípcio e a outras tribos vizinhas (como os filisteus, que a Bíblia diz terem ramificado a partir dos casluítas, descendentes de Mizraim).
A terminação "-aim" no hebraico antigo indica um elemento dual (duplo). Por isso, o nome Mizraim traduz-se literalmente como "As Duas Terras" ou "Os Dois Egitos".
A palavra que usamos hoje, "Egito", não vem da Bíblia hebraica. Ela tem origem grega: Os gregos antigos adaptaram a expressão egípcia Hwt-ka-Ptah (que significava "O Templo do Espírito de Ptah", um grande complexo na cidade de Mênfis) e transformaram-na em Aigyptos.
Mais tarde, o latim adotou-a como Aegyptus, dando origem ao termo "Egipto" em português. Ainda hoje, em todo o mundo árabe (incluindo no próprio país), o Egito é chamado oficialmente de Misr مִצְר , que é a evolução direta da palavra bíblica Mizraim.
As tabuinhas de Amarna (c. 1360–1332 a.C) chamam o Egipto de Misri, termo similar ao atual nome árabe do país (Misr)
- De 1600 a 1200 a.C.., o império Egípcio ia da Etiópia ao Eufrates. Canaã era província egípcia e Israel estava no Egipto.
Civilização Egípcia: resumo, características, sociedade
ALGUNS FACTOS IMPORTANTES:
- Abraão desce ao Egipto (possivelmente na XII dinastia, séc XIX a.C.) (Gn 12) - “Amenemés II (XII Dinastia): Período de grande prosperidade e registos de estrangeiros semitas a entrar no Egipto em busca de comércio e refúgio.”
- José torna-se o vice-governador do Egipto (possivelmente no sec. XVII a.C., na XIII dinastia).
A identidade do faraó no tempo de José (Génesis) divide egiptólogos e teólogos em duas grandes correntes históricas. Como a Bíblia não cita o nome próprio do governante, os pesquisadores tentam cruzar pistas textuais com a arqueologia egípcia.
Se considerarmos a contagem bíblica de que o Êxodo ocorreu 430 anos após a chegada dos hebreus ao Egipto (Ex 12:40), a história de José se posiciona entre 1697 a.C. e 1587 a.C.
As três principais teorias são:
1. A Teoria dos Hicsos (Séculos XVII a XVI a.C.) - Esta é uma das hipóteses mais populares. Os Hicsos eram governantes de origem semítica (asiática) que dominaram o Baixo Egito durante o Segundo Período Intermédio.
O argumento: Sendo estrangeiros de origens semelhantes às de José, isso explicaria porque um hebreu (pastor de ovelhas) foi tão facilmente aceito e promovido a Vizir (governador). Candidatos específicos deste período incluem reis como Maaibre Sheshi I ou Apófis.
A conexão com o Êxodo: Explica perfeitamente o versículo de Êxodo 1:8 ("Nasceu um novo rei que não conhecera José"). Quando os egípcios nativos expulsaram os Hicsos, passaram a escravizar os povos asiáticos que haviam se aliado a eles.
2. A Teoria do Império Médio / XII Dinastia (Séculos XIX a XVIII a.C.)
Esta teoria defende que José serviu a faraós puramente egípcios, baseando-se em costumes estritos da corte descritos em Génesis.
Sesóstris III (Senusret III) é o candidato mais forte desta linha. Durante seu reinado, houve uma centralização brutal do poder estatal onde o faraó removeu as terras dos governadores locais (nomarcas). Académicos associam isso à reforma agrária de José, que comprou as terras do povo para o faraó em troca de trigo durante a fome (Gn 47:20).
Amenemés III, filho de Sesóstris III. O seu reinado é famoso por grandes obras de irrigação e pela construção do Canal de José (Bahr Yussef), um canal artificial milenar que desvia água do Rio Nilo para o oásis de Faium. Ele também enfrentou crises de severa flutuação nas cheias do Nilo.
Os detalhes textuais: Génesis menciona que José precisou se barbear e mudar de roupa para ver o faraó (Gn 41:14). Os Hicsos usavam barba, enquanto os egípcios nativos do Império Médio abominavam pelos faciais e exigiam a raspagem completa.
3. A Evidência do Preço dos Escravos (Argumento de Kenneth Kitchen)
O renomado egiptólogo Kenneth Kitchen defende que a narrativa se encaixa perfeitamente no início do segundo milénio a.C. devido ao valor transacionado por José. Em Gn 37:28, José é vendido por seus irmãos por 20 siclos de prata.
Registos arqueológicos do Antigo Oriente Médio mostram que 20 siclos era o preço exato de um escravo durante o Império Médio egípcio. Em períodos posteriores (como no Império Novo, época de Ramsés), o preço de um escravo subiu para 30 ou 40 siclos.
“Se nossos critérios para o faraó de José forem: 1) egípcio nativo, 2) início do século XVII a.C. e 3) reinado por pelo menos 11 anos, então apenas Merneferre Ay se encaixa nesse perfil. Segundo o livro do Professor Ryholt, The Political Situation in Egypt During the Second Intermediate Period, Merneferre Ay reinou exatamente por "23 anos, 8 meses e 18 dias", colocando-o em cena de 1701 a 1677 a.C. (Outros esquemas ligeiramente variáveis incluem a datação de seu reinado pelo egiptólogo Thomas Schneider para 1684-1661 a.C.). Isso se encaixa bem com a chegada da família de Jacob ao Egipto durante esse período.”
- O nascimento de Moisés deu-se possivelmente no sec. XVI a.C.
A possível data do nascimento de Moisés depende diretamente da linha cronológica adotada para o Êxodo.
Como a arqueologia e o texto bíblico oferecem caminhos diferentes, existem duas teorias principais para o ano em que Moisés nasceu. A Bíblia afirma explicitamente em Êxodo 7:7 que Moisés tinha 80 anos de idade quando falou com o Faraó e liderou a saída do Egipto. Com base nisso, as duas principais datas calculadas pelos historiadores são:
a) Cronologia Bíblica / Precoce: c. 1526 a.C. - Esta data baseia-se estritamente no texto bíblico de 1 Reis 6:1, que afirma que o Êxodo ocorreu 480 anos antes do quarto ano do reinado de Salomão (que foi por volta de 966 a.C.).
- O cálculo: 966 a.C. + 480 anos = 1446 a.C.) (Ano do Êxodo).
- Nascimento de Moisés: 1446 a.C. + 80 anos = 1526 a.C.
- Contexto egípcio:
Embora 1526 a.C. preceda formalmente o início do reinado de Tutmés I na maioria das cronologias egiptológicas modernas (que costumam colocar Amenhotep I a governar em 1526 a.C.), a margem de erro arqueológica para este período é de cerca de 10 a 20 anos. Por isso, para os defensores da Cronologia Antiga, Moisés nasceu ou no final do reinado de Amenhotep I ou logo no início do reinado de Tutmés I.
O decreto de lançar os bebés rapazes ao Nilo (Êxodo 1:22) encaixa-se historicamente com Tutmés I, um faraó militarista obsessivo com o crescimento das populações estrangeiras nas fronteiras do Egito.
A "filha do Faraó" que o resgatou do Rio Nilo seria ninguém menos que a famosa princesa (e futura Faraó) Hatshepsut. A história descreve-a como uma mulher de personalidade forte, independente e com enorme poder político, o que explicaria a coragem de desafiar abertamente o decreto de morte do próprio pai para adotar uma criança semita. Ela vivia no palácio real perto do Delta/Tebas, dependendo da estação, frequentando as margens do rio com o seu séquito, tal como descrito em Êxodo 2:5.
b) Cronologia Arqueológica / Tardia: c. 1370 a.C. a 1310 a.C. - Esta linha baseia-se na arqueologia tradicional, que associa o Êxodo ao reinado de Ramsés II (séc. XIII a.C.), por causa da menção bíblica à construção da cidade de armazenamento chamada "Ramsés" (Ex 1:11).
- O cálculo: O Êxodo teria ocorrido por volta de 1290 a.C. ou 1230 a.C. (no governo de Ramsés II ou de seu sucessor, Merenptá).
- Nascimento de Moisés: Somando os 80 anos retroativos, Moisés teria nascido entre 1370 a.C. e 1310 a.C.
- Contexto egípcio:
Sob esta ótica, Moisés teria nascido no final da 18ª Dinastia (período do faraó "herege" Akhenaton ou de Tutancámon) ou no início da 19ª Dinastia (sob Seti I), crescendo na corte egípcia pouco antes ou durante o início do império de Ramsés II.
- O Êxodo deu-se possivelmente no sec. XV a.C.
Existem várias teorias sobre quem terá sido o faraó no período do Êxodo:
A identidade do faraó no relato bíblico do Êxodo é um dos maiores debates na história antiga. Os historiadores e teólogos dividem-se principalmente entre duas datações. Para os defensores da chamada "cronologia bíblica antiga" (baseada em 1 Reis 6:1) aponta o Êxodo para cerca de 1446 a.C. (18ª Dinastia). Nesse cenário, o faraó opressor costuma ser associado a Tutmés III (Tutmoses III) ou Amenhotep II (Amenófis II), colocando Tutmés II numa época anterior (a da infância ou nascimento de Moisés). A datação arqueológica tradicional aponta para o século XIII a.C., por volta de 1290 a.C. (19ª Dinastia).
As principais teorias dividem-se nos seguintes faraós:
- Tutmés III (c. 1479–1425 a.C.): O antecessor de Amenhotep II. Muitos teólogos apontam Tutmés III como o faraó que ordenou a escravidão severa dos hebreus e forçou Moisés a fugir para Midian, enquanto seu filho Amenhotep II teria sido o governante durante o Êxodo.
- Amenhotep II (c. 1450–1425 a.C.): Sendo o faraó da 18ª Dinastia, ele se encaixa perfeitamente na datação precoce (século XV a.C.). Ele é frequentemente associado ao faraó que enfrentou Moisés nas Pragas do Egito e recusou a libertação inicial.
ou
- Ramsés II: Famoso por sua longa dinastia e monumentos, é o candidato mais popular devido à citação em Êxodo 1:11, que menciona a construção da cidade de "Ramessés". Contudo, a maioria dos especialistas modernos aponta que ele reinou muito tarde para coincidir com a cronologia bíblica.
- Merenptá: Sucessor de Ramsés II, ele deixou a famosa "Estela de Mernepta" (c. 1207 a.C.), que contém a primeira menção extra-bíblica do povo de Israel. Devido a esse registo, alguns historiadores acreditam que o Êxodo ou a posterior chegada à Terra Prometida ocorreram perto do seu reinado.
A Verdade Sobre Moisés e o Êxodo do Egito com Rodrigo Silva
Pedra de Mernepta





Sem comentários:
Enviar um comentário