quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Bíblia - parte 3 - Império Assírio e Império Babilónico



Texto relativo à terceira parte da lição online sobre a Bíblia - Curso "Princípios da Fé Cristã"

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7.1. IMPÉRIO EGÍPCIO - clique AQUI

7.2. IMPÉRIO ASSÍRIO

De acordo com a tradição judaico-cristã registada no Livro do Génesis, a cidade de Assur (a primeira capital do império) foi fundada pelo patriarca homónimo Assur, filho de Sem e neto de Noé (Gn 10:22). 

Para os historiadores, o nome deriva da principal divindade assíria, o deus Assur. A cidade surgiu por volta de 2.600 a.C. como uma pequena cidade-estado acádio-semita às margens do rio Tigre, no norte da Mesopotâmia, sendo unificada e desenvolvida por reis e comerciantes locais.

O Império Assírio dominou o Oriente Próximo entre 1300 a.C. e 612 a.C., sendo conhecido pelo exército profissional brutal e táticas de cerco. Para manter os povos conquistados sob o seu controlo, os assírios utilizaram-se da violência e do terror. 

Sua história divide-se em três períodos principais:

- Antigo Império (c. 2025 a.C. – 1363 a.C.): Fase centrada na cidade de Assur, caracterizada pelo forte comércio de caravanas com a Anatólia.

- Médio Império (1363 a.C. – 1056 a.C.): Período de expansão militar inicial e domínio sobre reinos vizinhos.

- Neoassírio (911 a.C. – 609 a.C.): A época de ouro e o auge imperial, onde conquistaram territórios que iam do Egito até o Golfo Pérsico, governando a partir de capitais como Nínive e Nimrud.

(Levou o Reino do Norte de Israel, em 721 a.C., e cobrou tributo de Judá.)

ALGUNS REIS RELACIONADOS COM A BÍBLIA:

- Salmanaser III (883 a.C) - Foi um poderoso rei do Império Neoassírio que reinou de 859 a 824 a.C. Filho e sucessor de Assurnasirpal II (que iniciou seu reinado em 883 a.C.).  Ele dedicou grande parte de sua vida a campanhas militares para expandir e consolidar os territórios da Assíria. 

Foi o primeiro a hostilizar Israel. Jeú pagou-lhe pesado tributo.

“O Obelisco Negro, encontrada pelo escavador Sir Henry Layard em Ninrude, contém uma imagem de Jeú (r. 842–814 a.C.) de Israel inclinando-se para Salmanaser III oferecendo prata, chumbo, ouro, caneca de ouro, taças de ouro, vasilhas de ouro, proteção para a mão do rei e dardos. Isso aconteceu quando o rei assírio, já ocupado durante alguns anos, decidiu fazer uma visita ao ocidente.”

Samsiadade V → Adadenirari III (neto) 

                                 → Salmanaser IV  (bisneto)

                             Assurdã III (bisneto) 

                      Assurnirari V (bisneto) → Tiglate-Pileser III (trineto)                                                                                                                              → Salmanaser V (quatrineto)

- Salmanaser V (727-722 a.C) (quatrineto de Salmanaser III) - sitiou a Samaria, morrendo no sítio (2Rs 17.5). 

“Embora o breve reinado de Salmanaser V seja pouco conhecido de fontes contemporâneas, ele permanece conhecido pela conquista de Samaria e a queda do Reino de Israel, embora a conclusão dessa campanha às vezes seja atribuída a seu sucessor, Sargão II, em vez disso.”

- Sargão II (722-705 a.C) - consumou o cativeiro de Israel (2 Et 17.6).

“Embora Sargão alegasse ser filho do rei anterior Tiglate-Pileser III (r. 745–727 a.C.), isso é incerto e ele provavelmente ganhou o trono por usurpá-lo de Salmanaser V.”

“A cidade de Samaria, capital do Reino de Israel, foi sitiada e capturada pelos assírios na década de 720 a.C.. A queda da cidade encerrou o Reino de Israel, e quase trinta mil israelitas foram deportados e reassentados no Império Assírio, de acordo com o modo assírio padrão de lidar com povos inimigos derrotados por meio do reassentamento. (No contexto histórico de 2 Reis, este termo refere-se à estratégia da Assíria de deportar a população conquistada de Israel e trazer povos de outras regiões para habitar o território de Samaria.) Este reassentamento específico resultou na famosa perda das Dez Tribos Perdidas de Israel (Reino de Israel). Existe algum debate se o rei assírio que capturou Samaria foi Salmaneser V ou Sargão II. Tanto a Crónica Babilónica quanto a Bíblia (2 Reis 17:3-6 e 18:9-11) claramente atribuem a conquista da cidade a Salmanaser (a Bíblia regista um cerco que durou três anos), mas Sargão afirma em várias de suas inscrições que foi ele quem a conquistou. Várias explicações foram propostas para a contradição.”

- Senaquerib (705-681 a.C.) (3.º filho de Sargão II) - foi o mais famoso rei Assírio. 

Senaquerib é um dos reis assírios mais famosos pelo papel que desempenha na Bíblia Hebraica, que descreve sua campanha no Levante. Na Guerra do Levante, os estados no sul do Levante, especialmente o Reino de Judá sob o rei Ezequias, não foram subjugados tão facilmente quanto os do norte. Os assírios invadiram Judá. A narrativa bíblica sustenta a intervenção divina de um anjo encerrou o ataque de Senaquerib a Jerusalém ao destruir o exército assírio (2Rs 19:35)

- Jonas, profeta do Reino de Israel, foi enviado como missionário a Nínive, capital da Assíria, provavelmente durante o reinado de Adadenirari III (811-783 a.C.) (neto de Salmanaser III)

O fim do Império Assírio ocorreu de forma violenta entre 612 e 609 a.C., impulsionado por guerras civis internas, pela brutalidade do domínio que gerou revoltas e, principalmente, por uma aliança militar entre babilónios e medos, e participação dos Citos (ou Citas). O feroz e brutal império caiu conforme profecia de Isaías (10:1-23), cerca de 150 anos antes.

7.3. IMPÉRIO BABILÓNICO

O Primeiro Império foi fundado por povos amoritas que transformaram uma pequena cidade num grande reino por volta de 1792 a.C. O sexto rei criou o famoso Código de Hamurabi, baseado na lei de talião ("olho por olho, dente por dente"). O primeiro período terminou em 1595 a.C., após invasões de povos como os hititas.

O Neo-Império Babilónico iniciou-se em 626 a.C. com a coroação do rei Nabopolassar. O império terminou em 539 a.C., quando a cidade foi conquistada pelos persas liderados por Ciro, o Grande.

ALGUNS FACTOS IMPORTANTES:

- Nabucodonosor II - filho de Nabopolassar, foi o segundo rei e o maior deles. Reinou no século VI a.C., expandiu o território e embelezou a capital. Construiu os famosos Jardins Suspensos da Babilónia e imensas muralhas defensivas A Porta de Ishtar - O monumental e azulado portal de entrada principal da cidade da Babilónia. Reconstruiu o complexo do templo (zigurate) de Etemenanki, associado à Torre de Babel

Foi o rei que levou cativo o reino de Judá, destruindo e saqueando o templo.

- Submissão Inicial (605 a.C.): Judá tornou-se um estado vassalo da Babilónia.

- Primeira Revolta (597 a.C.): Nabucodonosor II atacou Jerusalém após a rebelião do rei Joaquim.

O primeiro ataque de Nabucodonosor, 598–597 a.C., a Jerusalém está registado na Bíblia, mas também na Crónica da Babilónia, que o descreve da seguinte maneira: “No sétimo ano [de Nabucodonosor], no mês de Quislimu, o rei de Acádia reuniu suas tropas, marchou para o Levante e estabeleceu quartéis de frente para a cidade de Judá [Jerusalém]. No mês de Adaru [no início de 597 a.C.], no segundo dia, ele tomou a cidade e capturou o rei. Lá ele instalou um rei de sua escolha. Ele coletou seu tributo massivo e voltou para a Babilônia.”

- Primeira Deportação (597 a.C.): O rei babilónico levou os tesouros do templo e milhares de judeus aristocratas, incluindo o profeta Ezequiel.

- Segunda Revolta (589 a.C.): O rei Sedecias (ou Zedequias*) (último rei de Judá antes da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor II. Ele reinou por 11 anos, entre aproximadamente 597 a.C. e 586 a.C.) aliou-se ao Egito e rebelou-se contra a Babilónia.  

* Matanias (ou Mattaniah): Era o seu nome de nascimento. Significava "presente de Deus" ou "dom de Yahweh". Nabucodonosor II obrigou-o a mudar de nome quando o colocou no trono.

- Cerco Final (587 a.C.): O exército babilónico cercou Jerusalém por mais de um ano. De acordo com os Livros dos Reis na Bíblia, a campanha contra Judá foi mais longa do que as guerras típicas da Mesopotâmia, com o cerco de Jerusalém durando de 18 a 30 meses (dependendo do cálculo), em vez da duração típica de menos de um ano. Se a duração incomum do cerco indica que o exército babilónico estava fraco, incapaz de invadir a cidade por mais de um ano, ou que Nabucodonosor II nessa época havia conseguido estabilizar seu governo na Babilónia e poderia travar uma guerra pacientemente sem ser pressionado na hora de escalar o cerco, não é certo.

- Destruição Absoluta (586 a.C.): Nabucodonosor II invadiu a cidade, incendiou o Templo de Salomão e arrasou as muralhas. Escavações arqueológicas confirmam que Jerusalém e a área circundante foram destruídas e despovoadas. É possível que a intensidade da destruição realizada por Nabucodonosor em Jerusalém e em outras partes do Levante foi devido à implementação de algo semelhante a uma política de terra arrasada, com o objetivo de impedir o Egipto de se firmar lá. De acordo com a Bíblia, e com o historiador judeu do século I, Flávio Josefo, Zedequias tentou fugir depois de resistir aos babilónios, mas foi capturado em Jericó e sofreu um destino terrível. De acordo com a narrativa, Nabucodonosor queria fazer dele um exemplo, visto que Zedequias não era um vassalo comum, mas um vassalo nomeado diretamente por Nabucodonosor. Como tal, Zedequias supostamente foi levado para Riblá, no norte da Síria, onde ele teve que assistir seus filhos serem executados antes de ter seus olhos arrancados e ser enviado para prisão na Babilónia.

- Grande Exílio (586 a.C.): A maioria da população de Judá foi deportada à força para a Babilónia.

Mencionado no Livro de Daniel. Descrito como um governante que enfrentou a loucura antes de reconhecer o Deus de Israel.

O livro de Jeremias descreve Nabucodonosor como um inimigo cruel, mas também como o governante do mundo apontado por Deus e como um instrumento divino para punir a desobediência.

-  Evil-Merodac – 2.º ou 3.º filho de Nabucodonosor II. Seu breve reinado durou de 562 até 560 a.C., e por causa do pequeno número de fontes cuneiformes sobreviventes, pouco se sabe sobre seu reinado e suas ações como rei. 

Evil-Merodac, originalmente chamado de Nabusumuquim, não era o filho mais velho de Nabucodonosor, nem o filho mais velho vivo na época de sua nomeação como príncipe herdeiro. Não está claro por que Evil-Merodac foi nomeado por seu pai como sucessor, principalmente porque parece ter havido altercações entre os dois, possivelmente envolvendo uma tentativa de Evil-Merodac de assumir o trono enquanto seu pai ainda estava vivo. (De acordo com Levítico Rabá, um texto midráxico dos séculos V a VII d.C., Evil-Merodaque foi preso por seu pai porque alguns dos oficiais da Babilônia o proclamaram rei enquanto Nabucodonosor ainda vivia). Após a conspiração, Evil-Merodac foi preso, possivelmente junto com Joaquim, o deposto rei de Judá. O então príncipe herdeiro mudou seu nome de Nabusumuquim para Evil-Merodac após sua libertação, possivelmente em reverência ao deus Marduc, a quem ele orou. 

Evil-Merodac é lembrado principalmente por libertar Joaquim após 37 anos de prisão (conf. 2 Rs 25.27; Jr 52.13). As Crónicas de Jerameel narram a libertação de Joaquim da seguinte forma: “No trigésimo sétimo ano do exílio de Joaquim, rei de Judá, no ano em que Evil-Merodac se tornou rei da Babilónia, ele libertou Joaquim da prisão no vigésimo quinto dia do décimo segundo mês. Ele falou gentilmente com ele e deu-lhe um lugar de honra mais alto do que o dos outros reis que estavam com ele na Babilónia.”

- Belsazar - era parente de Nabucodonozor (Dn 5.2,11). Foi o último rei babilónico. Foi morto de acordo com a revelação de Deus interpretada por Daniel (Dn 5.1-29,30).

É possível que uma das filhas (possivelmente Nitócris) de Nabucodonosor II tenha casado com o alto oficial Nabonido (Labineto, segundo Heródoto)). O casamento com a filha de Nabucodonosor pode explicar como Nabonido se tornou rei e também o porquê de certas tradições posteriores, como o Livro de Daniel na Bíblia, descreverem o filho de Nabonido, Belsazar, como filho (descendente) de Nabucodonosor II.

... continua ... IMPÉRIO PERSA

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