quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A Convicção Que Perdura Após a Crise



É segunda-feira. Os resultados trimestrais são maus. Um cliente importante acaba de sair. A equipa está a operar no limite das forças. E, no meio da pressão para apresentar resultados, fechar negócios e provar o seu valor, surge uma questão que a maioria dos líderes do mundo empresarial não se atreve a verbalizar: “Posso confiar em Deus quando tudo parece estar assim? Como um fracasso?"

O apóstolo Paulo responde a esta questão em Romanos 4. Aponta para Abraão e escreve: “A incredulidade não o fez vacilar quanto à promessa de Deus; pelo contrário, fortaleceu-se na fé, dando glória a Deus e estando plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que prometera” (Romanos 4:20-22). Reflita por um momento na situação de Abraão: cem anos de idade. O corpo já sem vigor. O ventre da sua mulher, Sara, estéril há décadas. Toda a realidade biológica gritava que a promessa de Deus — de uma descendência tão numerosa como as estrelas — não passava de letra morta. Abraão conhecia os factos. Não vivia de ilusões. Mas recusou-se a permitir que tivessem a última palavra.

Não se trata de mero desejo ou ilusão. É fé, confiança, uma batalha contra a incredulidade. E é algo poderoso.

A fé — aquela que Paulo descreve aqui — não é um vago otimismo espiritual. É uma convicção fundamentada e deliberada de que Deus pode fazer e fará o que disse, por causa de quem Ele é. A fé de Abraão não era, primordialmente, um sentimento. Era uma decisão firme, tomada dia após dia na linha da frente, de confiar n'Aquele que fazia a promessa, mesmo quando esta parecia impossível. Abraão fortaleceu-se na fé ao dar glória a Deus no meio da espera. Não depois da vitória. Durante ela. Durante aquela fase em que tudo parecia não ter saída.

Presenciei esta situação com um empresário que participava num grupo de homens que eu liderava na Florida. Era o terceiro diagnóstico de cancro. A pior notícia possível. O que fez a seguir deixou todos na sala profundamente comovidos. Ele adorou a Deus. Uma adoração inabalável, sem constrangimento, absoluta. Quem o faz? Quem firma a sua confiança no caráter de Deus, aconteça o que acontecer?

Enfrenta as suas próprias situações impossíveis no trabalho. Margens cada vez mais pequenas. Uma carreira estagnada. A escolha ética que o faz perder o negócio. Talvez aquele diagnóstico que invade a segunda-feira. Tudo isto é real. E exerce um verdadeiro peso sobre si. A cultura diz-lhe para insistir à custa de pura autossuficiência ou recorrer a frases feitas que não tocam a dor real. Ambas as abordagens perdem o foco do que realmente importa.

A fé bíblica faz algo diferente. Ela encara diretamente as provas em contrário e decide: “Ainda assim, Deus é capaz”. Ela agarra-se à promessa sem fingir que as circunstâncias não são difíceis. Continue a glorificar a Deus no meio da tensão, e a sua fé não permanecerá estagnada. Ela cresce. Isto não é uma metáfora. É uma possibilidade aberta para si hoje.

O Evangelho torna-o concreto. O Deus que prometeu a vida a partir da morte ressuscitou Jesus do túmulo. Se Ele o fez, pode-se confiar n’Ele com as suas folhas de cálculo, a sua estratégia e os seus contratempos. A mesma fé que foi creditada a Abraão como justiça é-lhe agora oferecida em Cristo. Não como um prémio por crer de forma perfeita (Abraão não o fez), mas como um presente para todos os que confiam n’Aquele que nunca quebra uma promessa.

Por isso, nesta segunda-feira, glorifique a Deus antes que a vitória chegue. Nomeie com sinceridade as circunstâncias difíceis e, em seguida, proclame também o caráter de Deus. Essa postura está ao seu alcance neste momento. Na tensão entre o que vê e o que Deus disse, a sua fé pode crescer. Não apesar da pressão do mercado de trabalho, mas mesmo no meio dela. A fé pode crescer precisamente por causa das suas provações.

CC Simpson

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