quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Onde está o amor?



Em tempos escrevi um livro dirigido a um grupo específico de pessoas da nossa sociedade. No entanto, o tema não se esgota nesse universo. É um tema que nos interpela a todos, independentemente da idade, da profissão, da condição social ou das convicções de cada um.

Vivemos numa sociedade cada vez mais individualista. Corremos contra o tempo, acumulamos responsabilidades, comunicamos mais, mas escutamos menos. Temos acesso a milhares de pessoas através de um ecrã, mas, paradoxalmente, sentimos cada vez mais dificuldade em criar relações profundas e verdadeiras.

A impaciência tornou-se frequente. O diálogo cede lugar ao confronto. A indiferença instala-se onde deveria existir proximidade. E, perante esta realidade, surge uma pergunta inevitável: onde está o amor?

O amor precisa de ser restaurado entre as pessoas. Não apenas o amor entre casais, mas o amor que se traduz em respeito, empatia, compreensão, solidariedade e disponibilidade para cuidar do outro. É esse amor que humaniza as relações e dá sentido à vida em comunidade.

O apóstolo São Paulo deixou-nos uma exortação que continua extraordinariamente atual: "Alegrai-vos, procurai a perfeição, encorajai-vos mutuamente, tende um só pensamento, vivei em paz; e o Deus do amor e da paz estará convosco." (2 Coríntios 13,11).

Estas palavras não são apenas uma recomendação espiritual; são um verdadeiro programa de vida. Uma sociedade que perde a capacidade de amar torna-se mais fria, mais injusta e mais indiferente ao sofrimento dos seus membros.

O amor manifesta-se nos gestos simples: num olhar atento, numa palavra de esperança, num pedido de desculpa, num perdão sincero, numa mão estendida a quem mais precisa. É na simplicidade que o amor revela a sua maior força.

Talvez o mundo não mude de um dia para o outro. Mas cada pessoa pode escolher viver de forma diferente. Pode escolher escutar antes de julgar, compreender antes de condenar, servir antes de exigir e amar antes de odiar.

A verdadeira transformação da sociedade não começa nas grandes decisões políticas ou económicas. Começa no coração de cada um de nós.

Por isso, a pergunta permanece: Onde está o amor?

Talvez a resposta esteja na coragem de cada um em fazer do amor uma escolha diária. Porque quando o amor regressa às nossas palavras, às nossas atitudes e às nossas relações, regressa também a esperança de uma sociedade mais humana, mais justa e mais fraterna.

Email: migsil45@hotmail.com



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